Jornal da Tarde - SP, 02/06/2003, Empregos, 3-D

 

Marketing de Rede: aprenda a lucrar com Venda Direta

Danilo Fariello

 

"Ganhe até R$ 100 mil por ano trabalhando para uma multinacio­nal em casa." Ao receber um cha­mamento implícito carregado de tamanho apelo, não sonhe com di­nheiro fácil, mas também não o ig­nore de cara, duvidando da pro­messa. Em geral, esse tipo de men­sagem nas propostas via e‑mail, ou por outras formas de contato, para trabalhos em marketing de rede costuma deixar as pessoas ressabia­das. Mas existem casos em que, com boa administração e muito tra­balho, é possível ter sucesso no ra­mo, com um negócio próprio.

Em geral, o trabalho consiste na venda de produtos fabricados por determinada empresa ‑ entre as mais comuns estão Amway, Herba­life e Nature's Sunshine, sem vín­culo com o fornecedor, em troca do recebimento de uma comissão sobre as vendas, que pode chegar a 50%. Mas, diferentemente do traba­lho de distribuição para empresas como Avon e Natura, o marketing de rede permite a remuneração pe­lo recrutamento de outros distri­buidores. Por esse sistema, o pri­meiro vendedor ganha duplamen­te: pela quantidade de vendedores que arrebanhar para a empresa e pelas vendas deles.

0 diretor de Novos Negócios da Associação Brasileira de Empresas e Vendas Diretas (ABEVD) e sócio da consultoria especializada Direct­biz, Marcelo Pinheiro, comenta que "essa é uma chance de ser um empresário e ganhar dinheiro com baixo investimento". Segundo ele, as leis brasileiras impedem que o distribuidor assuma algum com­promisso com o fornecedor, evitan­do, dessa forma, a constituição da conhecida pirâmide, enquadrada como estelionato. "Portanto, esse negócio é completamente legal." Pinheiro afirma que, para ser bem‑sucedido, o revendedor preci­sa combinar uma grande rede de consumidores com a formação de uma equipe eficiente abaixo dele. 0 interessado deve, necessariamen­te, procurar um distribuidor que já atue na área para indica‑lo. Ao ad­quirir um kit de produtos e instru­ções para venda, por um custo que varia entre R$ 100 e R$ 200, o dis­tribuidor já pode começar a vender. Para ter acesso a essa ativida­de, o interessado deve ter 18 anos ou mais. Não existe necessidade de abrir uma microempresa, pois os vendedores atuam como pessoas fí­sicas autônomas.

 

Lucro só vem com muito esforço

 

É desnecessário e até desaconse­lhável manter estoque dos produ­tos, diz Sérgio Gianechini, gerente geral da Herbalife do Brasil. 0 ven­dedor pode trabalhar apenas com encomendas. A Herbalife tem co­mo carro‑chefe produtos para ema­grecimento. Não é à toa que o bor­dão adotado pelos seus mais de 70 mil vendedores no País seja "STS Brasil, pergunte‑me como". Gianechini explica que, embora os casos de sucesso sejam o princi­pal mote da empresa e de seus ven­dedores para conquistar sócios, a Herbalife e outras empresas dei­xam claro em seus kits que "toda renda dependerá unicamente do esforço pessoal dos distribuidores, sem nenhuma garantia de ganho." Como atuam como autônomos, os distribuidores podem revender os produtos pelo preço que quiserem.

Ricardo Tanaka, diretor‑geral da Amway do Brasil, diz que os inte­ressados são, em geral, casais, que dividem o tempo no serviço. Se­gundo ele, além do desconto na compra dos produtos e do ganho obtido com a equipe de distribuido­res, os participantes bem sucedi­dos são contemplados com bônus mensais e anuais e viagens. A Amway possui um código de conduta que veda a comunicação em massa via e‑mail para recruta­mento de distribuidores. Esse meio de divulgação abre espaço, segun­do o Procon, à ação de pessoas inescrupulosas (veja os principais cuida­dos a serem tomados abaixo). Preconceito ainda é fator de resistência O marketing direto ainda enfren­ta resistências, por causa de percal­ços nos anos 90. Na época, os distri­buidores se preocuparam basica­mente em obter ganhos com a for­mação de equipes sem dar a neces­sária atenção à venda de produtos. Com a formação de redes muito grandes, mas improdutivas, os tra­balhadores não obtiveram lucros e a popularidade do marketing de re­de foi brutalmente abalada. Para refazer essa imagem, a Am­way, por exemplo, está relançando sua marca no País com o objetivo de ampliar o foco para a venda de produtos. "Estamos oferecendo ­três tipos de treinamento: para apresentação da empresa, venda de produtos e crescimento profissional", diz Tanaka.

 

Vendedor recolhe o imposto na fonte

 

Os distribuidores têm os impos­tos retidos na fonte sobre o rendi­mento obtido. As empresas descon­tam o imposto de Renda pela tabela progressiva, de acordo com o volu­me vendido pelo distribuidor, além do ICMS. Os produtos devem ser en­tregues com nota fiscal aos distribui­dores, que devem emitir recibos ao consumidor final para garantir a preservação de seus direitos.

 
Faturamento das Vendas Diretas cresce 23,8% no trimestre
Diário de São Paulo, SP, Economia, B-4



Faturamento das Vendas Diretas cresce 23,8% no trimestre

 

O setor de vendas diretas está tendo bons resultados, acima da média do varejo tradicional. Segundo informações da Associação Brasileira de Empresas de Vendas Diretas (Abevd), houve aumento de 23,8% no faturamento do primeiro trimestre em comparação a igual período do ano passado, atingindo em todo o país R$ 1,6 bilhão.  O crescimento é mais que o dobro da média registrada pelo varejo paulista que, no trimestre, segundo a Fecomercio de São Paulo, acumula alta de 10,4% no faturamento sobre igual período do ano passado.  A perspectiva da Abevd é que, com o apelo do Dia das Mães e Dia dos Namorados, o setor deverá fechar o segundo trimestre com desempenho ainda melhor, chegando a um volume de negócios 25% superior aos meses de abril, maio e junho do ano passado. O presidente interino da entidade, Alessandro Carlucci, diz que o crescimento do setor reflete os investimentos em marketing das empresas, tanto no recrutamento de revendedores como na conquista de consumidores. No primeiro trimestre de 2003 atuaram no sistema 1,14 milhão de revendedores, vendendo mais de 178 milhões de itens.

 

Destaques

 

Cosméticos, perfumes, bijouterias e vestuário puxaram os negócios, segundo a Abevd, com 87% de participação no mercado. Em seguida aparecem produtos para o lar, como utilidades domésticas, produtos de limpeza, cama, mesa e banho, com 8,4% das vendas.  Fundada em 1980, a entidade reúne 23 empresas, entre sócios-fornecedores e companhias das áreas de cosméticos, produtos de limpeza, recipientes plásticos de alimentos e suplementos nutricionais. Elas respondem por 80% do mercado nacional, gerando 10 mil empregos diretos e perto de 1,4 milhão de oportunidades de trabalho. (Sandra Motta) 

 

Site traz dados sobre o sistema

 

Quem quiser mais informações sobre vendas porta a porta tem um novo site à disposição. A Abevd colocou no ar o www.abevd.org.br, com dados estatísticos do setor em todo o mundo. O objetivo é facilitar o acesso às informações sobre o mercado para todos os públicos: consumidores, associados, revendedores e interessados em adotar o sistema. Fazem parte da entidade as empresas Amway, Anew, Aretta, Avon, Bionativa, Ceramarte, De Millus, Essence, Flora Brasil, Herbalife, Hermes, Jafra, Mary Kay, Morinda, Natura, Nature's Sunshine, Nestlé, Nu Skin, Pierre Alexander, Sara Lee, Tianshi, Tupperware, Yakult Cosmetics, Direct Biz Consultants, Market Insight, Arruda Pires Consultoria.