Marketing de Rede: aprenda
a lucrar com Venda Direta
Danilo Fariello
"Ganhe até R$ 100 mil por ano trabalhando para uma multinacional em casa." Ao receber um chamamento implícito carregado de tamanho apelo, não sonhe com dinheiro fácil, mas também não o ignore de cara, duvidando da promessa. Em geral, esse tipo de mensagem nas propostas via e‑mail, ou por outras formas de contato, para trabalhos em marketing de rede costuma deixar as pessoas ressabiadas. Mas existem casos em que, com boa administração e muito trabalho, é possível ter sucesso no ramo, com um negócio próprio.
Em geral, o trabalho consiste na venda de produtos fabricados por determinada empresa ‑ entre as mais comuns estão Amway, Herbalife e Nature's Sunshine, sem vínculo com o fornecedor, em troca do recebimento de uma comissão sobre as vendas, que pode chegar a 50%. Mas, diferentemente do trabalho de distribuição para empresas como Avon e Natura, o marketing de rede permite a remuneração pelo recrutamento de outros distribuidores. Por esse sistema, o primeiro vendedor ganha duplamente: pela quantidade de vendedores que arrebanhar para a empresa e pelas vendas deles.
0 diretor de Novos Negócios
da Associação
Brasileira de Empresas e Vendas Diretas (ABEVD) e sócio da
consultoria especializada Directbiz, Marcelo Pinheiro, comenta que "essa é
uma chance de ser um empresário e ganhar dinheiro com baixo investimento".
Segundo ele, as leis brasileiras impedem que o distribuidor assuma algum
compromisso com o fornecedor, evitando, dessa forma, a constituição da
conhecida pirâmide, enquadrada como estelionato. "Portanto, esse negócio é
completamente legal." Pinheiro afirma que, para ser bem‑sucedido, o revendedor
precisa combinar uma grande rede de consumidores com a formação de uma
equipe eficiente abaixo dele. 0 interessado deve, necessariamente, procurar
um distribuidor que já atue na área para indica‑lo. Ao adquirir um kit de
produtos e instruções para venda, por um custo que varia entre R$ 100 e R$
200, o distribuidor já pode começar a vender. Para ter acesso a essa
atividade, o interessado deve ter 18 anos ou mais. Não existe necessidade
de abrir uma microempresa, pois os vendedores atuam como pessoas físicas
autônomas.
Lucro só vem com
muito esforço
É desnecessário e até desaconselhável manter estoque dos produtos, diz Sérgio Gianechini, gerente geral da Herbalife do Brasil. 0 vendedor pode trabalhar apenas com encomendas. A Herbalife tem como carro‑chefe produtos para emagrecimento. Não é à toa que o bordão adotado pelos seus mais de 70 mil vendedores no País seja "STS Brasil, pergunte‑me como". Gianechini explica que, embora os casos de sucesso sejam o principal mote da empresa e de seus vendedores para conquistar sócios, a Herbalife e outras empresas deixam claro em seus kits que "toda renda dependerá unicamente do esforço pessoal dos distribuidores, sem nenhuma garantia de ganho." Como atuam como autônomos, os distribuidores podem revender os produtos pelo preço que quiserem.
Ricardo Tanaka,
diretor‑geral da Amway do Brasil, diz que os interessados são, em geral,
casais, que dividem o tempo no serviço. Segundo ele, além do desconto na
compra dos produtos e do ganho obtido com a equipe de distribuidores, os
participantes bem sucedidos são contemplados com bônus mensais e anuais e
viagens. A Amway possui um código de conduta que veda a comunicação em massa via
e‑mail para recrutamento de distribuidores. Esse meio de divulgação abre
espaço, segundo o Procon, à ação de pessoas inescrupulosas (veja os
principais cuidados a serem tomados abaixo). Preconceito ainda é fator de
resistência O marketing direto ainda enfrenta resistências, por causa de
percalços nos anos 90. Na época, os distribuidores se preocuparam
basicamente em obter ganhos com a formação de equipes sem dar a
necessária atenção à venda de produtos. Com a formação de redes muito
grandes, mas improdutivas, os trabalhadores não obtiveram lucros e a
popularidade do marketing de rede foi brutalmente abalada. Para refazer
essa imagem, a Amway, por exemplo, está relançando sua marca no País com o
objetivo de ampliar o foco para a venda de produtos. "Estamos oferecendo
três tipos de treinamento: para apresentação da empresa, venda de produtos
e crescimento profissional", diz Tanaka.
Vendedor recolhe o
imposto na fonte
Faturamento das Vendas Diretas
cresce 23,8% no trimestre
O setor de vendas diretas está tendo
bons resultados, acima da média do varejo tradicional. Segundo informações da Associação
Brasileira de Empresas de Vendas Diretas (Abevd), houve aumento de 23,8% no faturamento do
primeiro trimestre em comparação a igual período do ano passado, atingindo em
todo o país R$ 1,6 bilhão. O
crescimento é mais que o dobro da média registrada pelo varejo paulista que, no
trimestre, segundo a Fecomercio de São Paulo, acumula alta de 10,4% no
faturamento sobre igual período do ano passado. A perspectiva da Abevd é que, com o
apelo do Dia das Mães e Dia dos Namorados, o setor deverá fechar o segundo
trimestre com desempenho ainda melhor, chegando a um volume de negócios 25%
superior aos meses de abril, maio e junho do ano passado. O presidente interino
da entidade, Alessandro Carlucci, diz que o crescimento do setor reflete os
investimentos em marketing das empresas, tanto no recrutamento de revendedores
como na conquista de consumidores. No primeiro trimestre de 2003 atuaram no
sistema 1,14 milhão de revendedores, vendendo mais de 178 milhões de itens.
Destaques
Cosméticos, perfumes, bijouterias e
vestuário puxaram os negócios, segundo a Abevd, com 87% de participação no
mercado. Em seguida aparecem produtos para o lar, como utilidades domésticas,
produtos de limpeza, cama, mesa e banho, com 8,4% das vendas. Fundada em 1980, a entidade reúne 23
empresas, entre sócios-fornecedores e companhias das áreas de cosméticos,
produtos de limpeza, recipientes plásticos de alimentos e suplementos
nutricionais. Elas respondem por 80% do mercado nacional, gerando 10 mil
empregos diretos e perto de 1,4 milhão de oportunidades de trabalho. (Sandra
Motta)
Site traz dados sobre o sistema
Quem quiser mais informações sobre
vendas porta a porta tem um novo site à disposição. A Abevd colocou no ar o
www.abevd.org.br, com dados estatísticos do setor em todo o mundo. O objetivo é
facilitar o acesso às informações sobre o mercado para todos os públicos:
consumidores, associados, revendedores e interessados em adotar o sistema. Fazem
parte da entidade as empresas Amway, Anew, Aretta, Avon, Bionativa, Ceramarte,
De Millus, Essence, Flora Brasil, Herbalife, Hermes, Jafra, Mary Kay, Morinda,
Natura, Nature's Sunshine, Nestlé, Nu Skin, Pierre Alexander, Sara Lee, Tianshi,
Tupperware, Yakult Cosmetics, Direct Biz Consultants, Market Insight, Arruda
Pires Consultoria.